Cefaleia por uso excessivo de medicamentos

Pessoa a tomar medicamentos

As dores de cabeça (ou cefaleias) fazem parte das doenças mais comuns do sistema nervoso, afetando cerca de metade da população mundial.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, encontram-se entre as 10 condições mais incapacitantes, podendo ter grande impacto na qualidade de vida, tanto a nível pessoal como profissional.

A maioria das dores de cabeça são primárias, o que significa que os exames são normais e a sua origem é diretamente no sistema nervoso.

Menos frequentemente, são secundárias, ou seja, devidas a alterações estruturais que se podem visualizar em exames complementares.

A cefaleia de tensão e a enxaqueca, altamente prevalentes, são cefaleias primárias que motivam por vezes o consumo de grandes quantidades de medicamentos para tratar a dor durante as crises (analgésicos).

Tal sucede, em parte, porque o doente procura o alívio rápido da dor, mas também porque frequentemente as dores são pouco valorizadas pelos profissionais de saúde, que tendem a observar o doente entre crises.

A venda livre de analgésicos nas farmácias também pode potenciar o uso excessivo dos mesmos por parte da população.

Ora, o que muitos desconhecem é que estes medicamentos, quando usados frequentemente, podem causar outro tipo de dor de cabeça: a cefaleia por uso excessivo de medicamentos, a cefaleia secundária mais frequente no âmbito da consulta.

Nestes casos, as crises de cefaleias primárias tornam-se cada vez mais frequentes e prolongadas, criando um círculo vicioso em que tomar medicação para aliviar a dor gera mais dor.

Além disso, podem advir complicações decorrentes dos efeitos secundários dos analgésicos, como por exemplo úlceras do estômago, obstipação, insuficiência renal ou doenças vasculares.

Existem várias medidas que podem ajudar a prevenir este tipo de dor de cabeça secundária.

Por um lado, devem ser respeitados os limites de analgésicos diários e mensais no tratamento das crises.

No caso do paracetamol, ibuprofeno e ácido acetilsalicílico, o limite é de 15 dias por mês. Já no caso dos triptanos ou opióides, como o tramadol ou a codeína, o limite é de apenas 10 dias por mês.

Por outro lado, se as cefaleias são frequentes, deve ser prescrita ao doente medicação preventiva, ou seja, medicação que se toma diariamente, quer surja dor ou não, de forma a prevenir o seu aparecimento.

O tratamento da cefaleia por uso excessivo de medicamentos deve ser feito com acompanhamento médico, passando sempre pela suspensão do medicamento de abuso, oferecendo um substituto adequado e geralmente um tratamento preventivo das dores de cabeça.

Espera-se com estas medidas que a frequência das dores de cabeça vá diminuindo, voltando ao habitual dentro de algumas semanas.

É necessário esforço do profissional de saúde para motivar o doente a descontinuar o abuso medicamentoso, mas também um esforço pessoal por parte do doente, que se deve manter firme na suspensão do medicamento implicado e procurar ajuda médica sempre que se sinta em risco de recaída.