A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa descrita pela primeira vez há mais de 200 anos. Atinge duas vezes mais homens que mulheres e inicia-se, em média, pelos 60 anos.
Manifesta-se com sintomas motores, como lentidão dos movimentos, voz baixa e, em alguns casos, tremor, e sintomas não motores, como apatia, desatenção e alterações do sono.
Tal como outras patologias mais conhecidas, como a diabetes e a hipertensão, é uma doença crónica e requer acompanhamento médico regular.
Embora ainda não tenha cura, dispomos de várias intervenções que permitem melhorar os sintomas e manter uma boa qualidade de vida, estando demonstrado que a esperança média de vida, sobretudo para os doentes com diagnóstico após os 65 anos, é apenas discretamente menor do que a da população em geral.
O tratamento divide-se em medicamentoso e não medicamentoso, devendo complementar-se. Habitualmente e sobretudo nos mais jovens, a abordagem farmacológica inicia-se com comprimidos que podem ser tomados uma vez por dia.
Em doentes mais idosos ou nos jovens com muitos anos de doença, são necessários esquemas com várias tomas por dia. Em casos selecionados, podem utilizar-se perfusões subcutâneas ou a cirurgia de estimulação cerebral profunda, que permitem reduzir a medicação oral e manter um bom nível de autonomia, embora com efeito modesto nas alterações da fala, da marcha e do equilíbrio.
É comum notar-se menos resistência do doente à toma de comprimidos do que às medidas não medicamentosas. Dentro destas, a mais comum é a realização de fisioterapia com mobilização dos membros, correção postural e treinos de marcha e equilíbrio.
Tal acontece, com grande sobrecarga do serviço nacional de saúde, por existir pouca motivação da população para a prática assídua de exercício físico. Ora, do ponto de vista da neuroproteção, ou seja, das medidas que retardam a progressão da doença, o exercício físico regular parece ser a mais relevante.
Relativamente à modalidade a praticar, desconhece-se, por enquanto, se há alguma mais adequada. Portanto, aconselhamos uma apreciada pelo doente, com maior probabilidade de adesão a longo prazo, como, por exemplo, hidroginástica, ioga ou pilates. O canto e a dança também têm sido apontados como eficazes no controlo dos sintomas, com melhoria da voz e do equilíbrio, respetivamente.
Pensa-se que estas medidas fornecem pistas que aumentam a atenção do doente, melhorando assim o desempenho motor.
Personalidades como o papa João Paulo II e o ator Michael J. Fox são exemplos de figuras públicas que podem servir de motivação – o primeiro com 15 anos de pontificado com a doença, tendo mantido durante anos corridas regulares nos jardins do Vaticano e o segundo, diagnosticado aos 29 anos, mas mantendo-se ativo e tendo fundado uma das principais organizações devotadas à doença nos Estados Unidos da América.
Utilizando exemplos de cidadãos comuns da minha prática clínica, destaco os que jogam ténis, nadam, além de muitos outros que integram coros e ranchos folclóricos.
Assim, é importante manter uma mente tranquila e relativizar a doença, preservando as atividades e os contactos sociais sempre que possível.
Vivemos, contudo, uma época de restrições que muito tem dificultado a manutenção de uma vida ativa por parte desta população. Todavia, desejamos que em breve possamos retomar um estilo de vida saudável, com a esperança de que até nos tornemos mais ativos, começando já neste dia 11 de abril, dia mundial da doença de Parkinson.